sexta-feira, 28 de maio de 2010

Aviso importante:

Aos leitores, transeuntes, curiosos e fuxiqueiros;

Fui ali viver o mundo e em breve voltarei com apontamentos de uma vida contemporânea cheia de cobranças de bons resultados.

Desculpe o transtorno, estou trabalhando para melhor servi-los. (sem duplo sentido, please)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

mais um Crtl C + Crtl V

Tenho dito e redito, sejam em twittadas, nestes fragmentos ou nas andadas filosóficas que a vida insiste em me colocar, e reafirmo aos quatro ventos que Xico Sá é um dos grandes cronistas brasileiros e que eu o admiro como quem é devoto do grande mito nordestino, o Padim Padi Ciço!
Por isso, tomei a liberdade de dar um Crtl C + Crtl V em mais uma crônica, daquelas que a gente lê e pensa 
"por que não fui eu quem escreveu isso?" , encontrada na coluna Modos de Macho e Modinhas de Fêmea  do nosso Padim Padi Ciço da literatura.  

***
MODOS DE MACHO - Do riso e do esquecimento do fim

E quando imaginávamos que estava tudo acabado, que amor não mais havia, que tinha ido tudo para as cucuias, que o fogo estava morto como no engenho de Zé Lins, que o amor era apenas uma assombração do Recife Antigo...
 
Quando já dizíamos, a uma só voz, aquela crônica triste de Paulo Mendes Campos: “Às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba...”
 
Quando já separávamos, olhos marejados, os livros e os discos...
 
Quando o Neruda já estava no fundo da caixa de mudança...
 
Quando mirávamos, no mesmo instante, a nossa foto feliz no porta-retratos...
 
Quando não tínhamos nem mais ânimo para as clássicas D.R´s –discussões de relação...
 
Ave, palavra, até o gato, nervoso, sem saber com quem ficaria, quebrava coisas dentro de casa àquela altura.
 
Estava na cara: aquele feliz casal já era.
 
O cheiro do fim tomara todos os cômodos, a rua, o quarteirão, o bairro, a cidade, o mundo...
 
Quando só restava cantar uma música de fossa do Chico... “Aquela aliança você pode empenhar ou derreter..."
 
Quando só restava a impressão de que eu já vou tarde...
 
Sim, o quadro era realmente trágico, não se tratava de exagero nosso. Sabe quando resta apenas o silêncio e o descaso?
 
De tanta inércia, faltava até força para que houvesse a separação física, faltava força para arruma as malas, para ir morar no Lameiro, lá no Crato, ou na casa de um amigo.
 
Ah, amigo, quer saber quem bateu o ponto final da história do casamento?
 
Ela, claro, você acha que homem tem coragem para acabar qualquer coisa?
 
O estranho é que ela não disse, em nenhum momento, que não gostava mais do pobre mancebo. Aquilo me encucava. Porque um homem, como disse o velho Antonio Maria, nunca se conforma em separar-se sem ouvir bem direitinho, no mínimo quinhentas vezes, que a mulher não gosta mais dele, por que e por causa de quem etc etc.
 
E nesse clima de fim sem fim os dias foram passando... Até que chegou o domingo.
 
Eu acabara de levantar do amigo sofá, que havia se transformado no meu leito, quando ela passou com uma cara de impaciência e desassossego. Mais que isso: com vontade de matar gente!
 
Era a cara que fazia quando estava faminta. Sabe mulher que fica louca quando a fome aperta?
 
Vi aquela cena e cai na gargalhada. A princípio ela estranhou... Mas sacou tudo e danou-se a morrer de rir igualmente. Nos abraçamos e rimos e rimos e rimos e rimos daquilo tudo, rimos da nossa fraqueza em não dar a volta por cima, rimos do nosso silêncio sem sentido, rimos desses casais que se separam logo na primeira crise, rimos da falta de forças para enfrentar os maus bocados, rimos, rimos, rimos....
 
E um casal que ainda ri junto tem muita lenha verde para gastar na vida e fazer cuscuz com bode. Agora ela está deitada, linda, cheirosa, gostosa, psiu!, silêncio, ela dorme enquanto escrevo essa crônica!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

numa ilha deserta

Que é da natureza do indivíduo viver em sociedade, todos nós sabemos. Não precisaria assistir as longas aulas de sociologia para saber que a sociedade é vital para o sujeito. Nem muito menos ver Tom Hanks todo barbado gritando por uma bola chamada Wilson para entender que o isolamento numa ilha deserta pode afetar a sanidade do ser humano. Mas a questão não fica por ai...
Insano também é o funcionamento da sociedade que cobra que o indivíduo seja autêntico mas muitas vezes não aceita uma opinião divergente e ai quando o cabra da peste inventa de comunicar algo polêmico numa roda de conversa, ele é quase execrado em praça pública por amigos ou derivados. Ora, a comunicação não é o que nos diferencia dos animais irracionais? Nem sempre... irracional é não perceber que as pessoas não precisam olhar na mesma direção para todo sempre amém. As criaturas têm opiniões e posturas diferentes e isso não significa que a essência deste sujeito foi ultrajada em decorrência do ponto de vista diferenciado.
É ai que os cenários mudam e quem era amigo passa a ser amigo dos nossos desafetos. Decepção. Realidade fria quando percebemos que na vida estamos sós em muitos momentos.
Na grande ciranda da vida, precisamos muitas vezes nos preencher do vazio existente na ilha deserta que existe dentro de cada um.

terça-feira, 6 de abril de 2010

desejos

Eu desejo voltar a sorrir de dentro pra fora e amar como um dia fui capaz. Desejo amigos eternos, abraço apertado e colo confortável.
Eu desejo acreditar nos meus sonhos e me iludir com cada um deles. Desejo não desacreditar no amor.
Eu desejo ter sono na hora de dormir, ter fome na hora de comer e chorar pra limpar o que me resta de dor.
Eu desejo que meus desafetos sejam perdoados e que um dia eu me perdoe. Desejo acertar a direção, ajustar o leme e seguir adiante.
Eu desejo que a minha intensidade não atrapalhe ninguém, desejo que ela não me atrapalhe. Desejo precipitar sem me arrepender, desejo uma visão além do alcance.
Eu desejo sofrer quando tiver que sofrer e ser sinceramente feliz quando tudo se abrandar. Desejo paz de espírito e harmonia de vida.
Eu desejo não perder as esperanças até me desesperar.

quarta-feira, 24 de março de 2010

nunca vou ser o mesmo novamente

You taught me how to love you, baby,
You taught me, oh, so well.
Now, I can't go back to what was, baby,
I can't unring the bell.
You took my reality
And cast it to the wind
And I ain't never gonna be the same again.

sábado, 20 de março de 2010

divisão de bens

Leve com você as fantasias de menina, as alegrias vividas, o cheiro seu que ainda resta por aqui. Leve o sonho dourado, aquela viagem planejada e as malas que insistem em não se desfazer.

Espero que você leve a casa decorada, os filhos correndo no jardim, o ateliê no quartinho, o vestido branco bordado com o anel que nunca foi meu. Leve também as noites ardentes, os desejos inquietantes, a sua impaciência em me despir e esses sussurros que hoje me ensurdecem.

Não esqueça de levar as lembranças da nossa casa de praia, das conversas até amanhecer, do vinho tinto malbec e dos seus apetrechos culinários que um dia saboreamos juntos. Leve embora as tardes de domingo, os filmes que assistimos abraçados, as brincadeiras compartilhadas. Não esqueça que você deixou comigo aquelas músicas, a guitarra que não consegui tocar e as incansáveis aulas de inglês, não erre em deixá-los com alguém da próxima vez.

Eu quero que os meus delírios, a minha intensidade e o meu desejo em viver feliz possam ter contagiado você. Guarde com carinho os sambas por mim cantados com um copo de cerveja gelado e as minhas crises de riso. Espero que em você tenha ficado o melhor de mim. Os desentendimentos podem ser jogados fora porque eles vão embora com o vento.

Os sorrisos, os carinhos, os beijos, a cumplicidade ainda são seus, o amor, está por aqui insistente. Cuide daquele brilho nos olhos das vezes em que te vi acordar com a cara amassada, dos momentos em que prestava atenção nas suas notas de rodapé entre um ou outro gole de café, sobre os livros que leu, os filmes que assistiu e os artistas que não conheci. São seus também o choro apertado, o sonho dilacerado, a desesperança e as noites insones que estão por vir.

Leve pra você tudo o que quis ser e não fui.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Café com poesia

Clariceando...

Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

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...Que minha solidão me sirva de companhia.que eu tenha a coragem de me enfrentar.que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.
Clarice Lispector