terça-feira, 17 de janeiro de 2012

para você



Nunca desejei felicidade plena. Não sou de me iludir facilmente. Felicidade plena é tão subjetivo. E eu sempre tive dificuldades em lidar com aquilo que não é palpável. Desejei sim, uma vida tranquila. A ideia de tranquilidade sempre me pareceu mais alcaçável. E fui atrás. E, minimamente, consegui. Até você chegar. Bagunçando um juizo, sempre desajuizado.

Você disse que era possível. Eu acreditei. Permiti que minhas certezas se tornassem menos cristalizadas. E abri a janela da vida para novos horizontes. Um dia você me estendeu a mão e disse, vem. Eu fui. Não sem medo, mas fui. Aceitei aquele convite para dançar. E deixei-me levar pelos seus acordes. Somente seus. Um dia você disse que me amava. E, porque você disse, eu acreditei

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

o vento e o tempo



O vento sempre se encarrega de levar os desentendimentos. O mesmo que leva também aquilo que na verdade nunca importou. O vento só não leva são os aprendizados. E o tempo perdido com preocupações tolas. O tempo. Senhor de todas as coisas. Este sábio de bigodes brancos aprendeu a ser paciente. Resta a essência. Esta ninguém leva. Entre o tempo e o vento. A fé perene no amor. A fé no amor e na certeza de que cedo ou tarde os acordes sempre voltam a tocar no ritmo certo.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Café com Poesia: Ana Jacomiando

Tomara
Ana Jácomo



Tomara que a neblina das circunstâncias mais doídas não seja capaz de encobrir por muito tempo o nosso sol. Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer para ver também um bocadinho de céu.



Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem da confiança. Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente. Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor.



Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de busca a ideia da alegria.



Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão da felicidade.

Tomara.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

o solo da sua guitarra

No toque da guitarra desconcerto. Concerto para a vida. A vida compassada. Naquele acorde que busquei. O solo da guitarra que tanto sonhei. Você. Acordando os meus compassos. Compassando os meus acordes. Tem cor de música. Cheiro de madrugada. Som de sol quando se põe. Coração palpita. Pulsa. Salta. Cambalhota. Anseia sempre a sua chegada.


Passeio em movimentos acelerados. Compassados por uma guitarra. Errante. Vibrante. Excitante. Eu gasto as horas à sua espera. Consumo do tempo. No contratempo. Queimo por dentro. Brasa. Fogo. Chama. Combustão de sentimento. A pele rubra. De raiva. De desejo. A vontade de você que invade a alma.


Você metade, eu inteira. Consumido pelas horas de prazer. Subtraido pelo desejo da mulher. Eu que sempre estive ali. Escutando seus acordes. E no toque da sua guitarra dancei para vida. Eu que amei você mesmo antes de conhecê-lo. Na minha curiosidade procurava entender quem éramos. Eu que nunca fui sem você.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

sigamos a marcha

Sigamos em marchas firmes. Firmemente vacilantes. Nem lentas, nem rápidas. Constantes. A certeza do que nunca poderemos ter. O sentimento que é meu. O sentimento que é seu. Obra do que nos resta por indivíduo. A soma de um mais um. Resultado do amadurecimento. Permaneço única. Minha. Tentando me perdoar do que não posso ser. Hoje sou senhora de mim.




E a vida segue. Em marchas constantes. Do jeito que não poderia deixar de ser. Ter você. A soma do que desejei. A companhia que engrandece o espírito. Minha companhia. Meu companheiro. Para somar. Não subtrair. Eu, senhora de mim. É o que posso oferecer. Não indefectível. A concessão que fiz à minha condição de humana. Mesmo na certeza de que guardei meu respeito, carinho e dedicação.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Café com poesia: Leminskiando



A partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela, silêncio perpétuo.




Paulo Leminski

terça-feira, 25 de outubro de 2011

auto retrato



Memória, juízo e sorriso frouxos. Nem sempre doce. Muitas vezes sabor meio amargo. Combina com café. Minha paixão. Porque coca-cola é meu vício. Coca-cola e café, ótimas companhias ao meu cigarro. Mentolado. Café, coca-cola, cigarro e sexo. Não necessariamente nessa ordem. Noturnamente.


Insone por falta de opção. Ou seria por opção? Sexo, cigarro, coca-cola e café. Sim, eu me mantenho acordada velando o sono da cidade. E tenho muito sono de manhã, como Chico, o Buarque.


Nem sempre chata. Nem sempre simpática. Respeito bem as fases da lua. Preocupada, quase sempre. Eu sempre tenho pressa. Coca-cola, café, sexo e cigarro. Sempre.


Nunca sou metade. Sou inteira. Intensa. E abissal. Vivo dos extremos. Amor? Só se for de muito. Inteiro. Não procuro metade. Quero tudo. Ou nada. Espero entrega. Sim, eu estou entregue. E assim me traço. Entre outras paixões, meus tragos e goles de amor, sexo, cigarro, coca-cola e café.