sábado, 8 de fevereiro de 2014

Transbordo



Tem dias em que o sorriso traduz sentimentos inacessíveis. Então sorrio. Cócegas da vida. Gargalhada do coração. Vem de dentro pra fora. E explode no vento. Sorriso e braços abertos para o tão esperado novo tempo.

Tem dias em que inicia a primavera da alma. Então floreio. Colheita dos dias. Depois do deserto, o oásis. Momentos de deserto são férteis. Ocupar-se deles com sabedoria. E receber o oásis. Com gratidão.

Tem dias em que o amor vira poesia. Então poetizo. Para colorir nossos sorrisos. E enfeitar o caminho. Arado por nós. Labuta resiliente. Colheita consequente. 

Tem dias em que não caibo em mim. Então transbordo. Em ti.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Quando chega o amor


E sem avisar, eis que  chega o amor. Portas, janelas e braços abertos. Escancarados. A vida é generosa com quem é de verdade. O romper de um tempo. Pra dar cabimento a tantos capítulos a serem vividos. Vívidos. O romper daquela espera. (Des)espera. Exaspera. E vem. A vida sabe o que faz.

Sorrisos e lágrimas. Em grande volume. O amor que faltava na engrenagem de vidas. Chegou. Novos tempos. Bons tempos. Os maus? Passaram. Marcaram histórias. E se foram. O humano medo de errar. Humanos, demasiadamente, humanos. Nietzsche quem ensinou. Resta a fé. Descrédito do autor. Mas chama constante que aquece a alma.

Fé em você. No amor. No mundo. E em mim mesma. Sigamos. A vida dá cabimento à plenitude. E o amor que faltava, já sorri em mim.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

tempo, mano velho!



E chega um tempo em que é necessário pararmos, respirar fundo e seguir. Notamos as lacunas deixadas em nossa história. Os sorrisos. Sabores. Flores. Perderam-se em algum lugar do caminho. Tempo de nova estação. Seguir. Esvaziados do que foi. Só para dar cabimento aos novos preenchimentos.

No descuido. Somos engolidos pelo tempo. Sedução dos dias. Ilusão da rotina. Resignificar. Fazer doer o que está sangrando e esperar a cura do próprio tempo. Momentos. De espera.

E chega um tempo em que sentimos dor. Dor de crescimento. Quando o corpo não está preparado para o engradecimento da alma. Elastece a carne. E o coração. Fazer doer o que tem pra seu doído. Até esgotar as possibilidades da recaída. Resta a saudade. E a esperança de que outros tempos virão.


para: Graziella Castanhari
foto: Recife

sábado, 2 de fevereiro de 2013

despedida


Hoje meu sorriso perdeu a graça. Ainda sinto o cheiro de raito queimando sobre a pele. Num verão perdido no passado. Em Itamaracá, Ponta de Mangue ou num condomínio na Pompeia. Ainda escuto o fungado, característico de um cacoete peculiar. Nos meus dedos engilhados, posso sentir os mariscos bravamente tirados do mar, para compor o almoço de veraneio. E escutar ao final um elogio de gracejo. Gracejos da vida. 
 
Hoje meu sorriso desconsertou. Deu lugar às lembranças. E à reverência. Ao senso de humor e de justiça. Justa e generosa. Características marcantes de uma vida inteira.  Os ensinamentos que ficaram. Ecoam desgovernados pelo tempo. Trazidos pelo vento. Ainda escuto a voz rouca chamando Pituca e Pequeno. Que de tamanha fidelidade velaram um sono profundo. Eterno. No semblante sereno, agora gélido descansa no colo de Deus.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

c'est la vie



Há tempos em que nos aventuramos a segurar um momento com as mãos. Um instante. Aquele Instante. Preciso. Não. Impreciso. Mas exato. Aquele exato momento em que o sorriso torna-se sereno. Como quem deseja que ele aconteça permanentemente. Mas a vida é regente. E a vida. Ah a vida! A vida sempre sabe o que faz.

Há tempos em que temos uma trégua. Quando de presente ganhamos um repouso. Na superfície. Só pra dar cabimento aos mergulhos ainda mais profundos. Como quem necessita ir lá em cima tomar um folego e retornar à labuta. Mergulhar. Na alma. Nos dias. Na vida. E a vida. Ah a vida! A vida sempre sabe o que faz.

Há tempos em que entendemos que os momentos passam. Só para dar cabimento a todos os outros que virão. Esvaziar-se do que está cheio. E encher com parcimônia tudo novamente. E a vida, meus caros. Ah a vida! A vida sempre sabe o que faz.


C'est la vie!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

na batida da claquete


E na batida da claquete. Outro cenário. Novos protagonistas. Sorrisos largos. Acolhedores. Conforta a lacuna deixada por quem ficou. Encontros. Desencontros. Reencontros. Constantemente. A vida que segue, dirigindo o seu próprio roteiro. Roteiro sem rumo. A direção não definimos. Na batida da claquete, tudo muda. Resta seguir. Fé no caminho. No tempo. E em nós mesmos. Deixar-se aquietar. A vida é sempre generosa.

sábado, 28 de julho de 2012

escrevi pra você parte II






Escrevi pra você. Por você. Pelo amor. O de Deus. E o seu. Nosso amor. Escrevi o nosso amor. Lacuna dos dias. Agonia das noites. Noites frias. Insones. Vazias. O vazio de você que ficou por aqui.

Escrevi palavras sinceras. Às vezes palavras tristes. Noutras felizes. Escrevi pra você. E me fiz nua. Crua. Humana. Escrevi minhas fraquezas. Humanas fraquezas. E medos humanos. Dos humanos? O crédito.

Escrevi pra você. E falei de amor. Brinquei de amar. Arrisquei em sonhar. Escrevi para compartilhar. Os momentos. Desalentos. E glórias. Escrevi para me aproximar.

Escrevi sob o o mesmo céu que você habita. Mais colorido um pouco. Escrevi o amor. Discorri sonhos. Destilei desejos.

Escrever. E isso é tudo o que posso oferecer.