segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

impaciência

Falta paciência. Há que se enfrentar tudo de novo. Necessário de certo, numa imensidão de tantas outras necessidades. Amadurecer. Amadurecimento à fórceps, nas quedas que a vida presenteia como quem tenta insistentemente ensinar com a dor.

Aquela estranheza de quem passou um tempo no escuro e a vista ainda está se acostumando com a claridade. Ardência. Incomodo. O novo assusta. É enxergar a vida de um novo prisma, mesmo sem compreender ao certo o que se passa.

Dançar conforme a música, dizia o velho adágio. Mudanças de ritmos por rotação de segundo. Tontura. Vertígio. Voilà a vida não espera.





quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

a cachaça nossa de cada dia

Perdoai as minhas cachaças. Assim como o fígado ofendido. Sempre me deixei cair em tentação. Mas livrai-me de toda a ressaca. Amém.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

a saga da mulher solteira - parte II


Uma das coisas mais deprimentes que a solteirice nos proporciona, minhas cumadres, é a tal da cantada mau sucedida. Aquelas que fazem a gente pensar que merecia um illustrator na edição do texto do bonitão. Incrivelmente ruins, nos remete a mais uma dúvida de tantas que o estado civil solteira nos proporciona: dar aquele fora que vem na ponta da língua ou respirar fundo e fingir que não é com você?

São tantas bizarrices que os filhos de Adão atiram julgando ser nossos ouvidos verdadeiros pinicos da vovó, que estou montando um glossário, digno de diário de campo de uma antropóloga que pretende fazer uma observação participante para análise etnográfica. Começo hoje um ensaio das três piores que escutei nos últimos tempos.

Cantada Djavan - Aquela que o cara pensa que está impressionando mas na verdade é um grande mico.
De madrugada eu já pagava a conta quando escutei:
- Solteira?
- Sim, mas fechada pra balanço.
- Eu posso ser o peso da sua balança!
Consideração 1 : de onde ele tirou que eu havia falado balança e não balanço?
Consideração 2: Presunçoso não?

Cantada Papagaio de Pirata - Aquela que pega carona numa determinada situação. Essa acontece bastante com mocinhas fumantes e sempre tem o álibi: me empresta teu isqueiro?
Foi assim que aconteceu numa noite em que eu e mais duas amigas bebíamos e fumávamos, não necessariamente nessa mesma ordem, com fortes intercaladas de boas risadas. Entre uma e outra baforada, o carinha disparou:
- Eu já pedi tanto o teu isqueiro que é melhor eu sentar aqui.
- De jeito nenhum querido.
- Jura por Deus?
- Juro por Deus, Maomé e Jeová.
Consideração Única: Ele mereceu o fora que levou.

Cantada Jonny Bravo - Quando o macho alpha se sente o gostosão, imprescindível, único, e entre tantos adjetivos é um grande paspalhão. Essa acontece quase sempre com metrossexuais, é incrível, mas é fato.
Eu estava dançando sozinha, quando me aparece aquele metro e me diz:
- Você merece alguém bonito como eu.
- ?????
Consideração Única: Fingi que não era comigo.

Dá pra tu? Aconteceu, virou manchete.


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

é a pós modernidade - a saga da mulher solteira I

A saga de uma mulher solteira em tempos de amores liquidos é mais difícil que a vida da pitomba em boca de banguelo. Complicação digna de tese de pós doutorado em Oxford. E bote complicação nisso.

Em pleno século XXI, a mulher pós moderna ainda padece do preconceito masculino. Machismo é o gesso que imobiliza a mente do homem. Pode ser o mais descolado ou o mais almofadinha que existe no mercado, fatalmente ele irá te julgar no momento em que se sentir inseguro. Não se trata de uma discussão de gênero, sexista e desnecessária nesses fragmentos tolos, é o desabafo de uma mulher perdida nesse meio de mundo de pós modernidade.

E exagere ai na dose de dúvidas. Muitas e em avalanche. O que fazer quando aquele macho alfa que exala testosterona aparece cheio de amor pra dar na balada? Partir pra cima? Ele pode me achar jogada. Ficar na minha? Pode achar que não tenho interesse.

A situação piora cara amiga e minhas imagem-semelhantes quando pescamos o bonitão. Aceitar o convite de ir pra cama de prima, assim de testa mesmo? Muitas mulheres guardam seu tesão pra impressionar o cara. Eu sou dessas mulheres que só dizem sim, mas aceito como prenda a ligação do dia seguinte, a massagem no ego e o disfarce de que tudo não é apenas sexo e amizade.

Homens às vezes dá enfado. O preconceito com mulheres independentes é tão previsível que a máxima do antes só do que mal acompanhada vira rotina na vida de muitos rabos de saia que conheço, na minha inclusive.

Não meu amigo cafa, não me ligue somente para os finalmentes numa madrugada fria qualquer que você foi o perdedor. Seje homi rapá. Diga mais que sou linda, massageie o ego dessa cria de suas costela, que mal faz nisso? Ligue para comentar o seu dia, diga que escutou Neil Young e se lembrou daquela conversa que tivemos, mesmo que seja mentira. Mentiras sinceras me interessam. Afinal você é um homem ou um prato de papa?

O medo, talvez seja a variável mais decisiva nesses momentos. Take it easy, baby, não mordo em condições desfavoráveis. Sim, sou inteligente,você não vai me dobrar fácil, tenho independência financeira, e blá blá blá, não me venha com esse papo de medo de se apegar que isso está mais desatualizado que o dedal da minha tia avó. Se jogue hombre, que a distância da sua queda é a mesma que a minha.

É, bem que Bauman avisou, são tempos de amor líquido.

Então, aprenda com Leonard Cohen:

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Imagina o Brasil ser dividido


As manifestações recentes de preconceito e discriminação contra o Nordeste na internet têm me afetado de maneira preponderante. Não apenas por ter sido vítima no tempo que passei em São Paulo onde o tratamento por "baiana", "baianagem" e adjacentes era comum, mas por saber que o preconceito, em suas mais diversas manifestações, está presente na vida do brasileiro de maneira velada, onde todo mundo finge que não vê.


Cheguei à São Paulo com 6 anos de idade e já na escola enfrentei a dificuldade em ter amigos por ser "baianinha", com o tempo passei a negar minhas origens como forma de auto afirmação. Hoje, madura, de volta à "terra dos altos coqueiros", sou vítima de preconceito por ser uma mulher independente numa sociedade machista, entre tantos outros.


Manifestações preconceituosas atingem milhares e milhares de pessoas e, entre negros, gay's e as famosas "minorias", ficamos sempre escondendo os preconceitos nossos de cada dia. Por um lado, tais manifestações públicas têm sido importante para que o Brasil veja que não existe a tão proclamada "democracia racial, étnica e de gênero", e ainda que tenhamos no poder uma mulher que está sucedendo um operário nordestino, precisamos avançar muito.


Preconceito gera consequências sérias para a formação do indivíduo e ao convívio social. O índice de suicídio entre os homossexuais é cada vez mais crescente, fruto de uma não aceitação social, negros assassinados por serem confundidos com criminosos é algo presente também, dentre tantas outras.


"Imagina o Brasil ser dividido e Nordeste tornar independente". O Nordeste não é sinônimo de miséria, passamos anos sem atenção de governos federais e por isso temos ainda uma carência tecnológica e financeira face ao Sul/Sudeste, estamos avançando, o Brasil está avançado e a mentalidade das pessoas permanece estagnada.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

um poço

Enquanto as folhas do calendário se esvaem, permaneço equilibrando um corpo esguio mal ajambrado num par de calçados nº 37 para seguir em frente, cambaleante, com as dores dos desamores, aquela dor física de quem levou uma chapuletada na cabeça e ainda está azoretado.

As tarefas corriqueiras se tornam penosas. De todas sem dúvidas dormir tem me parecido a mais difícil, quando tudo em volta se abranda os morcegos do nobre Augusto dos Anjos invadem o quarto, o juízo não pára.

À noite as criaturas mais asquerosas saem da toca, entre baratas, ratos e morcegos, a minha insônia se instala para a tortura noturna.

Clamo em luto: se for pra estar no poço, prefiro o fundo dele, tenho dito, lá posso desaguar tudo o que resta de dor para que com o despertar dos dias de sol eu possa sair com a certeza que não me resta mais nada do que um dia sofri.

"Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência", trabalho difícil caro Neruda, necessário por supuesto.

Desprezo é o que um dia, quando o amor acabar, poderei desfrutar do inusitado de nós dois.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

haikai doido

dor dói
dói dor
doido
(por você)