sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Over the rainbow

Em algum lugar além do arco-íris
Bem lá no alto
Os sonhos que você sonhou
Uma vez em um conto de ninar
Em algum lugar além do arco-íris
Pássaros azuis voam
E os sonhos que você sonhou
Sonhos realmente se tornam realidade
Algum dia eu vou desejar por uma estrela
Acordar onde as nuvens estão muito atrás de mim
Onde problemas derretem como balas de limão
Bem acima dos topos das chaminés é onde você me encontrará,
Em algum lugar além do arco-íris pássaros azuis voam
E o sonho que você desafiar, por que, porque eu não posso?

Bom, eu vejo árvores verdes e
Rosas vermelhas também
Eu vou vejo-as florescer pra mim e pra você
E eu penso comigo
Que mundo maravilhoso

Bem eu vejo céus azuis e eu vejo nuvens brancas
E o brilho do dia
Eu gosto do escuro e eu penso comigo
Que mundo maravilhoso

As cores do arco-íris tão bonitas no céu
Também estão no rosto das pessoas que passam
Eu vejo amigos apertando as mãos
Dizendo, como você está?
Eles estão realmente dizendo Eu te amo!
Eu ouço bebês chorando e eu vejo eles crescerem,
Eles estarão aprendendo muito mais
Do que nós sabemos
E eu penso comigo mesmo
Que mundo maravilhoso.

Tradução da música Over the rainbow de Israel Kamakawiwo'ole

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Reviravolta volver

Reviravolta é uma concessão da vida para desarrumar e rearrumar os cenários da cena principal. Numa batida da claquete muda tudo e o que estava bom fica ruim e o que era ruim fica bom, não necessariamente nessa mesma ordem, ou desordem. É igualzinho ao que acontece quando a cerveja esquenta, o que era bom fica intragável e vice versa também, já que se trata da revira a volta.
O curioso é notar o vazio existencial dos protagonistas e coadjuvantes, embalados por uma trilha sonora que passa de Neil Young à Reginaldo Rossi, são obrigados à desprender-se dos seus planos, sonhos e desejos até adequar-se à nova cena, ao novo plano de imagem e jogo de luz, que mudará no próximo comando do diretor.
Reviravolta é um jogo incessante entre o que era e o que será nos próximos segundos como a reedição de um filme ou a customização de uma roupa, muda ao próximo grito: Corta!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ao grande Noel

Se um dia na orgia me chamassem
Com saudades perguntassem
Por onde anda Noel?
Com toda a minha fé responderia
Vaga na noite e no dia
Vive na terra e no céu

Seus sambas muito curti
Com a cabeça ao léu
Sua presença senti
No ar de Vila Isabel
Com o sedutor não bebi
Nem fui com ele a bordel
Mas sei que está presente
Com a gente neste laurel

Veio ao planeta com os auspícios de um cometa
Naquele ano da Revolta da Chibata
A sua vida foi de notas musicais
Seus lindos sambas animavam carnavais
Brincava em blocos com boêmios e mulatas
Subia morros sem preconceitos sociais

Foi um grande chororô
Quando o gênio descansou
Todo o samba lamentou Ô ô ô...
Que enorme dissabor
Foi-se o nosso professor
A Lindaura soluçou
E a Dama do Cabaré não dançou
Fez a passagem pro espaço sideral
Mas está vivo neste nosso carnaval
Também presentes Cartola
Aracy e os Tangarás
Lamartine, Ismael, e outros mais
E a fantasia que se usa
Pra sambar com o menestrel
Tem a energia da nossa Vila Isabel
Tem a energia da nossa Vila Isabel






Samba enredo da Vila Isabel 2010
composto pelo grande Martinho da Vila

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

o verborragismo

"verborrágica" é uma pessoa que não tem uma válvula que filtra o pensamento acabando por escapolir e se materializar com densidade e volume em palavras!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Café com uma crônica

Eu vi aqui , dei um Ctrl C + Ctrl V e está ai: Xico Sá pra vocês!

Você acorda e está diante do maior espetáculo da terra: a mulher no seu ritual de arrumação, o banho, o creme na perna levemente amparada sobre a poltrona, os cabides em forma das mesmas interrogações e dúvidas - com que roupa? - e aos poucos, peça a peça, me vejo diante da Anna Karina, a atriz, no auge da Nouvelle Vague.

Em muitas ocasiões, finjo até que estou dormindo, só para flagrar a beleza sem interferir no acontecimento. Dessa forma, ela se apresenta mais naturalmente e oferece melhores ângulos. Cena a cena, meu filme preferido, cinema na cama antes de pedir o café pra nós dois.

Porque uma mulher se vestindo é infinitamente mais elegante do que uma mulher tirando a roupa. Por mais que seja fina, há sempre um descuido ao despir-se, além da pressa inimiga, claro, nos momentos do sexo selvagem.

Seja um Yves Saint Laurent, um garimpo de brechó ou um vestido do magazine mais próximo, não importa, o que vale é o ritual, a combinação de cores, os detalhes, o quadro a quadro que constrói o figurino. Lindo e lento strip-tease ao contrário.

E o momento da maquiagem? Passo mal ao espiar ao longe. Sim, nada de acreditar nessa historinha de "você já é bonita com o que Deus lhe deu!" Dorival Caymmi, saravá meu pai!, é uma beleza de homem, mas pinte esse rosto que eu gosto e que é só seu. Com todos aqueles lápis que lhe fazem uma criança brincar de colorir o desejo.

Agora ela anda pela casa, à procura do acessório perdido... Seus passos fazem música com os tacos, como é bom ouvir, excitado, aquele ritmo ainda embaixo dos lençóis.

Quando o destino é uma festa, o ritual não é menos nobre, mas ainda prefiro o preguiçoso espetáculo das manhãs - final das manhãs, digamos, porque madrugar ninguém merece.

E sempre rio baixinho do momento da dúvida na escolha do vestuário, quando você suspira, quando você solta o mesmo resmungo de todas as mulheres do mundo: "Não tenho roupa!". Pode ser uma madame de alta classe ou uma jovem atriz, que ainda trabalha de garçonete.

O importante é que você se veste e aquele filme, Cinemascope, passa como sonho o resto do dia na minha cabeça.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

é a pós-modernidade

A síndrome do "meterobedelho" é uma doença que afeta muitas cidadãs e cidadãos e fica no limiar entre a espontaneidade e a inconveniência.
O "meterobedelho" ocorre sempre quando a pessoa não é chamada a tratar do assunto, mas devido a um dipositivo pré-existente chamado "souintimodemais" acaba por se manifestar de maneira sutil e devastadora.
A "individualidadedooutro" é um dos aspectos mais afetados por essa síndrome que se alastra a cada dia.
Os estudos indicam que os sites de relacionamento, muito presentes na pós-modernidade, estimulam a existência de sintomas como: necessidade de dar satisfação da sua vida, achar-se no direito de pedir satisfação da vida de outros e intolerância em caso de afastamentos.
Seria o fim dos tempos?!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

a felicidade

Felicidade vem dentro de uma caixinha da Sweets com cobertura de chocolate. Felicidade é um cafuné na cabeça, é dia de sábado à tarde, é luta de travesseiro. Felicidade é receber um beijo inusitado, um abraço apertado e uma mensagem esperada. Felicidade é matar a saudade. Felicidade é escutar a voz rouca de Bob Dylan cantado Shelter From The Storm, é escutar o solo daquela guitarra fender.
Felicidade é assistir à uma grande produção de Bertolucci e entender um filme de David Lynch, é descobrir novos autores de bons livros, é acabar de ler um livro de Edward Bunker. Seria ainda uma gota de orvalho, segundo o poeta, tão pequeno mas bonito de se ver.
Felicidade está dentro de uma limonada numa tarde escaldante, felicidade são passagens compradas a dois. Felicidade tem cheirinho de carro novo, de casa com jardim , café na cafeteira e pão assado.Felicidade está dentro das panelas de inox novinhas, do enxoval bordado pela avó, da galinha de ovos Filó, que enfeita a geladeira. Felicidade está em cima de um sofá amarelo fofinho, assistindo De olhos bem fechados, com olhos bem abertos, só para favorecer o trocadilho e ser mais feliz.
E assim, para sempre morar naquela feli(z)cidade!