sábado, 2 de fevereiro de 2013

despedida


Hoje meu sorriso perdeu a graça. Ainda sinto o cheiro de raito queimando sobre a pele. Num verão perdido no passado. Em Itamaracá, Ponta de Mangue ou num condomínio na Pompeia. Ainda escuto o fungado, característico de um cacoete peculiar. Nos meus dedos engilhados, posso sentir os mariscos bravamente tirados do mar, para compor o almoço de veraneio. E escutar ao final um elogio de gracejo. Gracejos da vida. 
 
Hoje meu sorriso desconsertou. Deu lugar às lembranças. E à reverência. Ao senso de humor e de justiça. Justa e generosa. Características marcantes de uma vida inteira.  Os ensinamentos que ficaram. Ecoam desgovernados pelo tempo. Trazidos pelo vento. Ainda escuto a voz rouca chamando Pituca e Pequeno. Que de tamanha fidelidade velaram um sono profundo. Eterno. No semblante sereno, agora gélido descansa no colo de Deus.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

c'est la vie



Há tempos em que nos aventuramos a segurar um momento com as mãos. Um instante. Aquele Instante. Preciso. Não. Impreciso. Mas exato. Aquele exato momento em que o sorriso torna-se sereno. Como quem deseja que ele aconteça permanentemente. Mas a vida é regente. E a vida. Ah a vida! A vida sempre sabe o que faz.

Há tempos em que temos uma trégua. Quando de presente ganhamos um repouso. Na superfície. Só pra dar cabimento aos mergulhos ainda mais profundos. Como quem necessita ir lá em cima tomar um folego e retornar à labuta. Mergulhar. Na alma. Nos dias. Na vida. E a vida. Ah a vida! A vida sempre sabe o que faz.

Há tempos em que entendemos que os momentos passam. Só para dar cabimento a todos os outros que virão. Esvaziar-se do que está cheio. E encher com parcimônia tudo novamente. E a vida, meus caros. Ah a vida! A vida sempre sabe o que faz.


C'est la vie!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

na batida da claquete


E na batida da claquete. Outro cenário. Novos protagonistas. Sorrisos largos. Acolhedores. Conforta a lacuna deixada por quem ficou. Encontros. Desencontros. Reencontros. Constantemente. A vida que segue, dirigindo o seu próprio roteiro. Roteiro sem rumo. A direção não definimos. Na batida da claquete, tudo muda. Resta seguir. Fé no caminho. No tempo. E em nós mesmos. Deixar-se aquietar. A vida é sempre generosa.

sábado, 28 de julho de 2012

escrevi pra você parte II






Escrevi pra você. Por você. Pelo amor. O de Deus. E o seu. Nosso amor. Escrevi o nosso amor. Lacuna dos dias. Agonia das noites. Noites frias. Insones. Vazias. O vazio de você que ficou por aqui.

Escrevi palavras sinceras. Às vezes palavras tristes. Noutras felizes. Escrevi pra você. E me fiz nua. Crua. Humana. Escrevi minhas fraquezas. Humanas fraquezas. E medos humanos. Dos humanos? O crédito.

Escrevi pra você. E falei de amor. Brinquei de amar. Arrisquei em sonhar. Escrevi para compartilhar. Os momentos. Desalentos. E glórias. Escrevi para me aproximar.

Escrevi sob o o mesmo céu que você habita. Mais colorido um pouco. Escrevi o amor. Discorri sonhos. Destilei desejos.

Escrever. E isso é tudo o que posso oferecer.

terça-feira, 5 de junho de 2012

licença poética

O mundo engole o tempo. E a vida. Vida que segue em passos largos. Apressados. Estressados. A fumaça. E o frio. Deixam embaçados os olhos curiosos. Sedentos. O mundo não tem deixado o espaço da poesia. 

A vida clama por poesia. Aquele lirismo poético que faz a gente rir de si mesmo. Falta um pouco mais de poesia. Faltas substanciais. Falta de mim. Ecos dos nossos vazios.

O vazio que embrutece a alma. A vida clama por olhos risonhos. Resta o rosto sisudo. Pele enrudescida. Como as mãos calejadas do sertanejo. Rude. Grossa. Dura. Dureza que esconde a fragilidade. Aqui de dentro pode se ver: Cuidado frágil. Fragilidade que não desencoraja. Mas amedronta.

Sim. A vida pede mais licença poética.

sábado, 12 de maio de 2012

escrevi para você

A vida segue no mundo de cá. Muitas descobertas a cada dia. A saudade persiste.O mundo de lá que ficou. E as despedidas. Dolorosas despedidas. Como não poderiam deixar de ser. 

Extrair do concreto a poesia. Sim, cá existe muito lirismo. E frio. Esfria a carne e o coração. Carne do coração? Não. Coração é músculo involuntário. Foi Marisa quem falou. Coração que pulsa involuntariamente por você. Você. Escrevi para você. Estratégia para preencher o vazio que ficou.

A vida girou. Mas não foi 360 graus. Não voltou ao mesmo ponto de partida. Ato falho. Foi para outro extremo. A vida deu meia volta. Mas não voltou. Fez as malas e se foi. Mudou de endereço. De cidade. E de trabalho. Gratificante trabalho. Mais uma estratégia para preencher o vazio de você. 

A vida sem você. Desalento. Saudade. Vontade. Esperança. Esperar o dia em que nossos caminhos se reencontrarão. No infinito dos tempos. Encontrei você e não perco mais. Seu caminho desemboca no meu. Espero. Espera. A vida tem paciência.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Mundo Novo

Um misto de medo e coragem. A vida brinca de girar. Giro em 360 graus. Um estranho novo mundo. Mundo novo. Mundo estranho. Estranheza existencial. Quando pela primeira vez, eu me estranho. A primeira pessoa do singular sendo posta em evidência numa vida de tantas coletividades. O outro versus eu?

Sigo em passos firmes. Lentos. Mas firmes. Como quem tenta entender a nova esfera. Um misto de coragem e medo. Vontade. Aquela vontade de que o mundo congele para dar cabimento às mudanças. Às minhas mudanças.Tortuosas. Sinceras. Incertas. Incertezas que não tolhem as decisões. Deciões que embaralham a vida.

Vida que segue. Engole o tempo. Transita no novo mundo. Eco de outras vidas. Noutro coletivo. Eu e o coletivo. Sociedade que anseio. A espera que se concretiza. Assim se espera. Lentamente. Felizmente.Quando um ciclo se encerra para abrir tantos outros.