segunda-feira, 30 de abril de 2012

Mundo Novo

Um misto de medo e coragem. A vida brinca de girar. Giro em 360 graus. Um estranho novo mundo. Mundo novo. Mundo estranho. Estranheza existencial. Quando pela primeira vez, eu me estranho. A primeira pessoa do singular sendo posta em evidência numa vida de tantas coletividades. O outro versus eu?

Sigo em passos firmes. Lentos. Mas firmes. Como quem tenta entender a nova esfera. Um misto de coragem e medo. Vontade. Aquela vontade de que o mundo congele para dar cabimento às mudanças. Às minhas mudanças.Tortuosas. Sinceras. Incertas. Incertezas que não tolhem as decisões. Deciões que embaralham a vida.

Vida que segue. Engole o tempo. Transita no novo mundo. Eco de outras vidas. Noutro coletivo. Eu e o coletivo. Sociedade que anseio. A espera que se concretiza. Assim se espera. Lentamente. Felizmente.Quando um ciclo se encerra para abrir tantos outros.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

gerar amor


E eis que um ciclo se fecha para dar cabimento a tantos outros. Como no choro de uma criança recém nascida rompendo o tempo da sua geração. Os 9 meses e um fruto que nasce em forma de amor verdadeiro.

Nos nossos 9 meses 'geramos' companheirismo, compreensão e paciência, exercício crucial para o nascimento do amor na forma mais humana de amar, não sem erros, mas na busca persistente do acerto.

Nos nossos 9 meses semeamos o melhor que pudemos oferecer um ao outro, não sem esmorecer, porque isso também é humano, mas insistimos no respeito e na reciprocidade.

Nos nossos 9 meses comemoramos o nascimento sim, o nascimento da promessa que nossos olhos fizeram quando se reconheceram.

quinta-feira, 8 de março de 2012

sobre as coisas que eu não sei


Eu não sei existir sem entrega. Às vezes eu preferia ser menos canceriana. A vida quis assim. A vida me fez assim. Intensa e abissal. De uma profundeza tão profunda que às vezes me perco e quando retomo tenho sempre escoriações que doem na alma.

Eu não sei lidar com o efêmero. Relações que vem e vão não me interessam. Relações frívolas me dão cansaço. Eu sempre me perco no tempo. E o tempo da frivolidade é rápido demais para toda essa profundeza que há em mim.

Eu não sei conviver com interesses. Custo acreditar que há maldade. Eu sempre acho que no mundo existe bondade. E me decepciono facilmente quando tenho que lidar com a maldade alheia.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

conto momesco



Certo dia meu ego e meu superego brigaram, na confusão abriram as porteiras que prendia o Id, que escapou ileso e fugiu rua à fora. Mas o Id, que não é besta nem nada, escondeu-se por trás do alter ego e com toda a sua liberdade criativa foi ocasionar. Ocasionar é a parte da farra onde cabe tudo e mais um pouco e não dá pra denominar. Foi uma panacéia na cidade. O Id não achou pouco e juntou-se a meio milhão de Id's disfraçados com seus respectivos alter ego's e durante 4 fervorosos dias brincaram visceralmente. Quanto lirismo havia por ali! Não fui eu, foi meu eu-lírico, respondia sagáz o meu Id quando interpelado sobre os impulsos instintivos. Mas um dia a festa acabou, e foi justamente numa quarta-feira de cinzas.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

para você



Nunca desejei felicidade plena. Não sou de me iludir facilmente. Felicidade plena é tão subjetivo. E eu sempre tive dificuldades em lidar com aquilo que não é palpável. Desejei sim, uma vida tranquila. A ideia de tranquilidade sempre me pareceu mais alcaçável. E fui atrás. E, minimamente, consegui. Até você chegar. Bagunçando um juizo, sempre desajuizado.

Você disse que era possível. Eu acreditei. Permiti que minhas certezas se tornassem menos cristalizadas. E abri a janela da vida para novos horizontes. Um dia você me estendeu a mão e disse, vem. Eu fui. Não sem medo, mas fui. Aceitei aquele convite para dançar. E deixei-me levar pelos seus acordes. Somente seus. Um dia você disse que me amava. E, porque você disse, eu acreditei

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

o vento e o tempo



O vento sempre se encarrega de levar os desentendimentos. O mesmo que leva também aquilo que na verdade nunca importou. O vento só não leva são os aprendizados. E o tempo perdido com preocupações tolas. O tempo. Senhor de todas as coisas. Este sábio de bigodes brancos aprendeu a ser paciente. Resta a essência. Esta ninguém leva. Entre o tempo e o vento. A fé perene no amor. A fé no amor e na certeza de que cedo ou tarde os acordes sempre voltam a tocar no ritmo certo.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Café com Poesia: Ana Jacomiando

Tomara
Ana Jácomo



Tomara que a neblina das circunstâncias mais doídas não seja capaz de encobrir por muito tempo o nosso sol. Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer para ver também um bocadinho de céu.



Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem da confiança. Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente. Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor.



Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de busca a ideia da alegria.



Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão da felicidade.

Tomara.