quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

o solo da sua guitarra

No toque da guitarra desconcerto. Concerto para a vida. A vida compassada. Naquele acorde que busquei. O solo da guitarra que tanto sonhei. Você. Acordando os meus compassos. Compassando os meus acordes. Tem cor de música. Cheiro de madrugada. Som de sol quando se põe. Coração palpita. Pulsa. Salta. Cambalhota. Anseia sempre a sua chegada.


Passeio em movimentos acelerados. Compassados por uma guitarra. Errante. Vibrante. Excitante. Eu gasto as horas à sua espera. Consumo do tempo. No contratempo. Queimo por dentro. Brasa. Fogo. Chama. Combustão de sentimento. A pele rubra. De raiva. De desejo. A vontade de você que invade a alma.


Você metade, eu inteira. Consumido pelas horas de prazer. Subtraido pelo desejo da mulher. Eu que sempre estive ali. Escutando seus acordes. E no toque da sua guitarra dancei para vida. Eu que amei você mesmo antes de conhecê-lo. Na minha curiosidade procurava entender quem éramos. Eu que nunca fui sem você.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

sigamos a marcha

Sigamos em marchas firmes. Firmemente vacilantes. Nem lentas, nem rápidas. Constantes. A certeza do que nunca poderemos ter. O sentimento que é meu. O sentimento que é seu. Obra do que nos resta por indivíduo. A soma de um mais um. Resultado do amadurecimento. Permaneço única. Minha. Tentando me perdoar do que não posso ser. Hoje sou senhora de mim.




E a vida segue. Em marchas constantes. Do jeito que não poderia deixar de ser. Ter você. A soma do que desejei. A companhia que engrandece o espírito. Minha companhia. Meu companheiro. Para somar. Não subtrair. Eu, senhora de mim. É o que posso oferecer. Não indefectível. A concessão que fiz à minha condição de humana. Mesmo na certeza de que guardei meu respeito, carinho e dedicação.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Café com poesia: Leminskiando



A partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela, silêncio perpétuo.




Paulo Leminski

terça-feira, 25 de outubro de 2011

auto retrato



Memória, juízo e sorriso frouxos. Nem sempre doce. Muitas vezes sabor meio amargo. Combina com café. Minha paixão. Porque coca-cola é meu vício. Coca-cola e café, ótimas companhias ao meu cigarro. Mentolado. Café, coca-cola, cigarro e sexo. Não necessariamente nessa ordem. Noturnamente.


Insone por falta de opção. Ou seria por opção? Sexo, cigarro, coca-cola e café. Sim, eu me mantenho acordada velando o sono da cidade. E tenho muito sono de manhã, como Chico, o Buarque.


Nem sempre chata. Nem sempre simpática. Respeito bem as fases da lua. Preocupada, quase sempre. Eu sempre tenho pressa. Coca-cola, café, sexo e cigarro. Sempre.


Nunca sou metade. Sou inteira. Intensa. E abissal. Vivo dos extremos. Amor? Só se for de muito. Inteiro. Não procuro metade. Quero tudo. Ou nada. Espero entrega. Sim, eu estou entregue. E assim me traço. Entre outras paixões, meus tragos e goles de amor, sexo, cigarro, coca-cola e café.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

promessa de vida

Eu me guardo o direito de não aceitar provocações baratas. Eu me guardo o direito de permanecer acreditando naquilo que defendo. Eu me guardo o direito de fazer críticas internas, se preciso for, porque aprendi que roupa suja se lava em casa. Eu me guardo o direito de permanecer rebatendo críticas caluniosas. Eu me guardo o direito de defender o que acredito por correto.

Eu me guardo o direito de não misturar o pessoal com o político. Eu me guardo o direito de respeitar minha história. Eu não dou o direito a quem deseja desrespeitá-la. Eu me guardo o direito de mostrar minha cara. Limpa. Transparente. Porque assim fui educada.

Eu me guardo o direito de agradecer. Sempre. Eu me guardo o direito de reconhecer quem me fez chagar até aqui. Eu me guardo o direito de pedir ajuda. Gritar por socorro se preciso for. Eu me guardo o direito de assumir erros. Humana, demasiada, humana.

Eu me guardo o direito, sobretudo, de ser quem sou. Verborrágica. Verdadeira. Porque se assim não for, infarto cedo.

Pronto, falei.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

haikai infantil





acorda

a corda

a cor da

infância


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

amor fértil


O terreno ainda é fértil para o amor. Fertilidade abundante. Felicidade visceral. Encontrar o carinho, respeito e companheirismo diante do que se julgava infértil. Amor. Fazer brotar da dor o amor. Campo fértil para o crescimento. Desafiando os dias que se seguem. Penosos, como não poderiam deixar de ser.

Arar o terreno. Esperar a colheita dos bons frutos. Tempos melhores sempre estão à espreita. Paciência. Desacelerar a pressa da vontade. Deixar fluir os ventos. Os bons e os ruins. Tudo se aproveita nessa marcha. Acreditar no amor. E agradecer o brinde da vida.

Ele. Ela. Elo que não se desfaz. A vida quem quis assim. Nos seus acordes perfeitos. As dissonâncias dos destinos. Destinos errantes. Distraídos se cruzaram. E a espera tornou-se amena.