sexta-feira, 18 de março de 2011

solidão


A vida suplica: Inteligência emocional! Fácil na teoria, prática difícil em tantos desamores. Tristeza. Solidão quase existencial. Saudade. Quem ama, ama só? Resta chorar. Quando choramos visceralmente as lágrimas levam um pouco daquilo que nos fez sofrer. Voilá a vida guarda boas surpresas com o raiar do dia.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

escrever


Escrevo como quem brecha a fresta da janela. Janela da alma. Escrevo como quem brecha a fresta da alma. Nua. Crua. Escrevo como quem brecha a alma nua e crua. Fúria. Desespero. Humor. Não, amor. Em caixa alta: A M O R. Escrevo o amor. Amor oscilante. Oscilações em rotação por segundo. Lapidados em palavras. A palavra lapidada pelos sentimentos pulsantes dessa alma quem vos fala. Escrevo para lapidar a minha alma.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

e a saga se emancipou


A saga da mulher solteira se emancipou e resolveu fazer carreira solo. Abandonou esses fragmentos quem vos fala e está alçando vôos sobre a solterice nossa de cada dia. Está com novo endereço e visitas serão sempre bem vindas. Visitas íntimas também serão bem acolhidas, mas sempre que puderem levem contribuições sobre os apontamentos e desapontamentos da mulher solteira perdida na vastidão da pós modernidade. E você filho de Adão, contribua com dúvidas e opiniões. Lembrando que respeito é bom e faz bem pra boa convivência.

Porém, a separação não foi traumática para nenhuma das partes, por isso os fragmentos continuará no ar, como sempre tentando acessar as profundezas do inconsciente. Contribuições também serão bem vindas, comente rapá, fale dona maria, que mal faz um comentário? Se exponha vá, grite suas angústias nesse mar de descompassos ritmados pelo coração.

Divirtam-se no blog a saga da mulher solteira. E venham chorar no ombro dos fragmentos.


domingo, 16 de janeiro de 2011

a saga da mulher solteira - parte IV


Se tem uma coisa difícil de administrar na solteirice nossa de cada dia, seu João e dona Maria, é a danada da falta de intimidade. Adão e Eva fora do paraíso, sem roupa em plena Conde da Boa Vista meio dia de sol rachando!

A falta de intimidade é o fim das relações. O que dizer? O que fazer? Pra onde vou? Ilha de Lost dos relacionamentos, sem passagem de volta, fera. E se ache viu? Complicação pra mais de metro nesse mundo de meu Deus.

É como o primeiro dia de trabalho que a gente não sabe bem onde colocar as mãos. Dá preguiça só de pensar em conhecer a figurinha premiada do pacote de ruflles sabor salsa e cebola. Cebola? Nem pensar. Que dirá alho, nem bugalhos minha cumadê.

O perfume tem que ter a dosagem certa, nem doce, nem cítrico, muito menos amadeirado, algo do tipo lavanda Johnson, saca? Para não ter o perigo do brotinho sair correndo de enjôo pelo seu exagero nas gotas de esperança.

E o que escolher pra jantar? É bom estar ciente se o macho alpha tem essas frescuras da pós-modernidade que promete vida longa, algo do tipo lactovegetariano e essas coisinhas verdes que nos deparamos por ai. Se rolar e não for sua praia gata, melhor não insistir, você terá dor de cabeça mais pra frente e remédio homeopático não vai funcionar, quem avisa amiga é.

Cama. Lascou. Essa parte sem intimidade é o fim. Nem tanto pelo ziriguidum, mas acordar ao lado de um carinha que você não tem a menor liberdade é tarefa para corajosas. Quando dormimos todas as nossas armas baixam guarda. Hálito das incertezas do amanhã de manhã. Toda aquela super produção do dia anterior, make up ultra potente, tubinho preto, salto 20, não vão esconder o seu cabelo assanhado e a cara amassada da manhã seguinte minha cara Audrey Hepburn. Nem vão disfarçar aquela remela preta de lápis borrado. E se você caprichou no rímel pode ter certeza que a figura vai pensar que dormiu com uma ursa panda. Se garanta viu?

E o que falar? Vixi Maria. Tem que ter a habilidade de um orador de formatura pra dosar as palavras desse português ruim, nessa ocasiões melhor beber com moderação. É que a censura é inversamente proporcional ao teor alcoólico da noite bem sucedida. Tentar manter o equilíbrio entre o que se quer falar e o que se pode falar não é tarefa fácil, às vezes escapa um "eu amo teu cheiro", e o carinha certamente vai se assustar, como você ama o cheiro do broto legal, se você está conhecendo ele agora minha amiga dona de casa? Tenha calma, vá com um pé no freio e o outro na embreagem que é melhor pros 4, sim pra você, pra ele e pros próximos que virão.

Relações sem intimidade é como saltar de pára quedas, pode ser muito bom, mas tem chance de ser desastroso. Intimidade é o tempero do love story. É um caminho sem volta, sem tarja preta nos olhos do amor. Solteiras do mundo, uni-vos pela intimidade necessária nas relações do dia a dia, mesmo que na manhã seguinte ele seja página virada descartada do seu folhetim.


O Rei já sabia e ensinou:


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

amanhecer além do arco-íris

Um suave ruído da manhã. Suavemente feliz. A dor se transforma na mais bela nota. Orquestrada por si. Uma canção que tem cheiro de jardim. Jasmim vapor. Cor de sol quando nasce.

Amanhecer. Quando o sol acorda para mais um dia. Não qualquer dia. Num belo dia. Um belo dia foi e não é mais. Um novo belo dia.

Puxe a cadeira e entre. A casa é sua. E minha também. A casa é nossa. Terraço para a vida, com rede preguiçosa.

Tem som de chuva quando cai. Chuva não, é sol. Chuva e sol. Casamento de espanhol? Não, não. Tem som de felicidade. Aquela suave, lembra? Tem som de felicidade com chuva e sol.

Arco-íris. Um pote de ouro do lado de lá. Viu? Eu vi. Seja bem vindo 2011.


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A crença

Saiu de lá com fé. Com muita fé em si mesma. No som do carro Bob Dylan a lhe acompanhar. Nos dias em que os pensamentos ensurdecem, ela aumenta o som para deixar a música sobrepor a sua dor.

Era curiosa a sua insistência em escutar "Don't think twice, it's all right " do seu mestre Dylan, mas precisava saborear cada trecho como se seu pensamento ainda não tivesse decodificado a mensagem daquela música.

Naquele dia, justamente ali, entendeu. Os seus caminhos não se cruzavam mais no infinito. "Não pense duas vezes está tudo bem" repetia em voz alta, naquela auto doutrinação.

Chorou. Um choro calado, quase consciencioso. Não chorava mais pelo desfecho das suas histórias. Chorava por si mesma e pelo tempo que ainda levava para entender como funcionavam as coisas do coração.

Apertou o volante e suplicou para não desacreditar no amor. Ela já não acreditava mais. Os seus sonhos haviam morrido ali naquele ponto final. Restava enterrá-los. Se permitiu em velar em silêncio, naquele luto solitário.

Sim, havia entregue o seu coração, mas sua alma jamais poderia oferecer. Um dia já tinha aprendido que a sua felicidade não podia ser entregue a ninguém. Mesmo assim o fez e mais uma vez se frustrou. Hoje era ela quem cuidava da idéia que ainda lhe restava por felicidade.

Algo de muito importante havia sido subtraído da sua essência. Decidiu buscar novamente. Era muito decidida. Não queria perder as esperanças, até desesperar. E foi.

Foi embora, não olhou para trás. Olhar pra trás representa insegurança. Não, definitivamente não estava insegura. A liberdade causava-lhe medo, mas queria essencialmente ser livre. E buscou. E está conseguindo. Mas ainda chora para limpar tudo o que resta daquele romance vivido por si só.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

a saga da mulher solteira - parte III

Também faz parte da saga da mulher solteira a famosa e maravilhosa dor de cotovelo. São momentos épicos, quase um ode à dor. Um ritual sagrado de culto à saudade. São momentos em que as lembranças chegam em avalanche e a pessoa degusta com prazer.

Tem que ter trilha sonora, claro. E quanto mais deprê mais o momento fica triunfal. Waldick Soriano sempre é boa companhia das dores dos desamores. Torturando esse ser que te adora, vamos desfrutando do nosso momento, só nosso. Acenda um cigarro e beba mais um gole. Momentos como esses são intensos e passam rápido.

Pelo direito nobre de roer. Roa ratinha solteira, o rei de Roma te deixou na sarjeta da solidão. No melhor estilo brega, aumente o som e viva a sua dor de cotovelo. Que mal faz uma roedeira? E quem nunca roeu que atire o primeiro copo.

Nelson Gonçalves que o diga. Mestre em cotovelos roxos ele vivia a dor com a beleza de um amante. Corria pra um botequim, cantava as mágoas de um caboclo solitário no regresso à boemia. Tudo na mais perfeita classe.

Mas seu mundo não caiu cara Maysa contemporânea, se avexe não cumadre, que a tampa da sua frigideira uma hora aparece. Mesmo que furada, um cacareco, é a sua tampa, do seu número, vai te servir muito bem.